Sbubs!!!


Que signo é teu?

Aparentemente os signos mudaram.

Alguns astrônomos (e não astrólogos) fizeram um estudo mostrando que o sol não está realmente em peixes durante o tempo todo em que se acreditava que ele estava. Uma questão de precisão.

O que determina o seu signo, segundo a mitologia do assunto, é a posição que o sol está em relação as 12 constelações usadas para marcar a passagem do tempo há milênios atrás.

Não sei se você já se ligou, mas astrologia diz mais ou menos o seguinte: se você nasceu em um dos dias em que o sol está alinhado com a constelação de Peixes, você vai ter a personalidade razoavelmente associada a um peixe. Você vai ser calmo, ter sangue frio, gostar de água, essas coisas. Pobres pessoas do signo de Virgem! (eu sou uma dela aliás. Explica toda uma adolescência. Não havia nada que eu pudesse fazer...).

A parte mais legal da nova distribuição dos signos é que surgiu uma constelação nova, Serpentário. Pessoas nascidas sob esse signo certamente serão traiçoeiras, peçonhentas, rastejantes, venenosas, escamosas e flexíveis. Ou gostarão de abrigar grupos de pessoas assim. 

Isso é o que eu mais gosto em astrologia. As personalidades são iguais aos nomes dados às constelações.

As constelações têm esses nomes porque tinha que se dar um nome fácil a ela. Seja lá quem criou isso, foi um gênio do branding. Se fosse hoje, elas provavelmente teriam nomes de astrônomos, filhos de astrônomos ou simplesmente números. A gente teria diálogos como:

- Ah, show, você curte artesanato? E qual é teu signo, minha flor?

- Ah... não vou falar... quero ver você adivinhar... você tem 12 chances!

- Hmm... você é bonita, sincera, criativa... só pode ser de Russel 133B.

- Errou... Mas foi perto. É Russel 133 Alfa.


Mas não, alguém muito louco olhou para um V com uma bola na ponta e falou: “eu vejo um Peixe. Um não! Dois!” E aí aquelas estrelas agrupadas viraram um signo. E isso inspirou algum outro doido a dizer: “então pessoas que nascem quando esse agrupamento de estrelas está no topo do céu são tipo um peixe”. 

Brilhante idéia. É o que equivale, naquela época, a ter criado o Farmville. “Quem imaginaria que um monte de gente estaria disposto a gastar dinheiro com isso?”. Pois é. 

Agora olhe para a verdadeira forma das constelações do Zodíaco.


Viu? Que bom que o cara que criou esses nomes era um artista louco de ácido. Se fosse alguém um pouco menos criativo, o signos poderiam ser assim:

Escorpião seria... GANCHO

Pessoas nascidas sob o signo de Gancho gostam de se apegar as coisas e não soltar mais. Para soltar é preciso sacudi-las. Elas são boas em pesca e por isso perigosos para quem é de Peixes.

Leão seria... GIRAFA

Os girafianos gostam de ficar em pé. Costumam ter bons hábitos alimentares, pois têm consciência de que se alimentar não é fácil. Ponto fraco: pescoço.

Capricórnio seria... BARRACA

Barraqueanos sabem se virar. Eles estão fortemente associados a vida na selva, mas são prevenidos e sempre se protegem antes do pior acontecer. Não precisam de conforto. São perigosos para quem é de Gancho, que acaba sempre sendo usado por eles.

Touro seria... GRAVETO TORTO

Pessoas que nascem sob o signo de Graveto Torto não servem pra nada. No máximo para cutucar animais mortos.

(ter um filho gravetiano seria uma desgraça para a família).

Áries seria... GRAVETO TORTO PEQUENO (teria que ter um nome mais ancestral, tipo “GRAVETILHO”).

Os gravetilhanos, embora tenham uma aparência ainda mais fraca que os gravetianos, na verdade são mais resistentes. São ideais para trabalhos físicos que exijam gente pequena, como limpar forros.

- Ué, quer dizer que não tem gravetilhanos altos?

- Tem, mas é que eles sofrem uma influência maior do signo ascendente. Um Gravetilhano com ascendente em Girafa, pode ser alto.


 



Escrito por Mascavo às 15h23
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Good old times

 

Sábado passado, peguei na casa de um amigo minha velha bateria. Ele se mudou de Brasília para São Paulo e quebrou o galho de trazer a bateria para mim. 

A bateria é minha e do Sbub. Compramos quando eu tinha uns 18 anos. Eu lembro que a gente fez uns trampos de garçom na época, para juntar uma grana e comprá-la, mas acho que não chegou a fazer diferença. Depois eu juntei mais uma grana que eu tinha do meu estágio, uma patrocínio do meu pai e compramos a bateria mais barata chinesa que existia.

Quando a gente montou nossa primeira banda, o Lactobacilos Vivos, o Sbub era o baterista, então a bateria no fim era mais dele do que minha. Ficou no quarto dele durante a vida toda, até que não deu mais. E aí ele decidiu mandá-la para mim aqui em São Paulo.

No sábado passado, ela chegou. Passou 4 dias entupindo meu porta-malas. Mas ontem finalmente eu levei pro estúdio e montei.

Lá no estúdio já tem uma batera, mas ela é uma portátil da Pearl e tem outros caras que tocam. Então além de detonar peles e afinação pelo uso excessivo, eu que sou canhoto, tenho que inverter as peças toda vez que vou tocar.

Então ter outra bateria lá era só uma questão de praticidade. Não era algo que estava me empolgando, nem nada. Mas na verdade rolou um sentimento :). Enquanto eu montava aro por aro, lembrei de quando a gente comprou, carregou no banco da frente do corcel e montou na sala de casa. E vê-la montada e de volta a ativa foi como reencontrar um brinquedo antigo, que você não lembrava mais como era legal.

O Sbub não é um cara muito organizado, então eu achei que ia estar uma bagunça, faltando peça, tudo meio quebrado... Mas na verdade veio tudo certinho, até com a micro-chave que regula a angulação do prato de baixo do contratempo. Ninguém guarda isso, mas o Sbub foi contra sua própria natureza e conservou tudo. Valeu, Sbub!

O som dela está fantástico, as peles ainda estão novas e até a caixa, que não era muito boa, parecia uma obra de arte.  Pena que não deu pra tocar, porque já tava tarde e os vizinhos iam dar chilique - como nos velhos tempo, aliás. Ficou marcado para quinta um ensaio com as duas baterias simultâneas. Vai ser foda isso.

 



Escrito por Mascavo às 11h33
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Chef-celebridade-artista-que-não-tem-medo-de-inovar-e-quebrar-paradigmas


Nesses tempos maneiros em que vivemos, cozinhar virou algo cool. Minha avó devia ter vivido para ver isso. Ela fazia um macarrão com carne excelente e nunca foi adequadamente reconhecida por isso. Se fosse hoje, ela poderia abrir uma loja chamada “macarronaria”, num lugarzinho bem descolado onde antes funcionava uma antiga loja de máquinas de costura. O lugar seria pequeno, mas viveria lotado, e ela poderia cobrar bem caro por um prato de macarrão. Seria legal servir em pratos de papel. Ia parecer despretensioso e ecologicamente correto. E lucrativo. Pessoas pagariam muito caro para comer macarrão em pratos de papel. Eu pagaria, sem dúvida, porque o sabor compensaria.

O problema é que isso fez também com que cozinheiros, ou chefs virassem celebridades, e isso é sempre perigoso. Eu mesmo, nesse feriado, caí na armadilha de ir comer em um restaurante de chef celebridade. Se fosse do Jamie Oliver ainda, que faz coisas tradicionais e simples, vá lá, mas não, eu tinha que ir justamente no chef-celebridade-artista-que-não-tem-medo-de-inovar-e-quebrar-paradigmas. 

E então eu fui parar no DOM, do chef Alex Atala

Sabe essas peças de teatro que o cara vem e joga água na platéia, fala um monte de palavrão sem nexo, dança.... Ninguém entende nada...  Mas sempre tem uma galera que sai falando que é genial? Pois é. Eu sempre fico na dúvida se o “artista” realmente acredita naquilo que está apresentando... Se ele realmente tentou “passar uma mensagem”... Ou se na verdade ele está sacaneando todo mundo. Deliberadamente falando um monte de merda só pra ver as pessoas fingindo que entenderam depois.

Eu acho que o chef Alex Atala fica na segunda opção. Ouvi dizer que ele um dia “foi punk”, então essa deve ser a vingança punk dele. Servir comida bizarra, cobrar muito caro por isso e rir da cara da galera.

Uma vez, eu estava com meu amigo Mauricio comendo num restaurante vagabundo. Esse amigo queria comer um pedaço de torta holandesa como sobremesa, mas ficou na dúvida, porque ela provavelmente não era muito boa e custava caro. Aí eu fiz uma aposta com ele: se ele colocasse uma concha de vinagrete em cima da torta, e comesse tudo, eu pagava a torta. Foi uma ótima piada, foi bem engraçado e tal... Mas eu, que paguei para ver alguém comer torta com vinagrete, sou júnior perto do Alex Atala. Ele faz você comer a torta e ainda faz você pagar (caro) por ela. Gênio!

Mas antes de perceber isso, eu fui de “coração aberto” conhecer o lugar. Eu realmente esperava conhecer sabores nunca antes imaginados. Eu achava que era como um chocolate Lindt. Quando você só conhece o bom chocolate Nestlé, acha que aquilo é ótimo e está de bom tamanho. Mas quando você experimenta um Lindt, você realmente acha justo pagar 10 vezes o preço de um Nestlé por ele. E eu achava que o restaurante DOM fosse assim.

Ledo (sempre quis escrever isso) engano. Topei um “menu degustação”, no qual você fala o que não gosta e eles te servem uma salada, 4 pratos quentes, um queijo e uma sobremesa. Tudo surpresa. 

A salada tinha manjericão, mussarela de búfala e tomate cereja. Ótimo, né? Excelente combinação. Só que tudo isso vem boiando numa mistura de água de melancia com azeite. ÁGUA DE MELANCIA COM AZEITE! Dava pra ver as bolhas do azeite no meio da melancia. Agora pensa, quanto você cobraria de um amigo seu para tomar uma golada disso? 

Foi um mal começo, mas eu ainda tinha fé. 

O próximo prato: arroz negro com leite com castanhas.

Isso foi a maior sacanagem. É praticamente cereal Musli com leite QUENTE! Eu aposto que tinha alguém na cozinha se mijando de rir.

Eu tenho uma piada com um juiz amigo meu. Se ele um dia falar ou escrever “laterais de alumínio" em um sentença, eu dou 100 reais pra ele. É só uma piada, ele nunca vai fazer (eu espero). Mas eu acho que foi isso que rolou na cozinha: "se você algum dia tiver a manha de servir cereal com leite quente no jantar, eu te dou 20 reais". Parabéns para o cara que ganhou a aposta.

Depois teve a batata doce com "sal inglês" e creme de chimarrão. Creme de chimarrão foi foda. Eu não comi. Pede para algum gaúcho que você conheça, daqueles fanáticos por chimarrão, para ele comer uma colherada da raspa da cuia dele. Nem ele topa. 

Eu comi só a batata doce com sal, o que parecia ótimo, naquele momento. Mas era só batata doce, cozida na água, com sal. Me lembrou comida de hospital. Mas num hospital, pelo menos a batata não é doce.

O próximo prato foi fettucini de palmito (na verdade, palmito cortado em forma de fettucini) com molho carbonara. Esse foi ok, mas foi onde ficou mais evidente a sacanagem da quantidade. Eu comi em uma garfada! Você espera que esse tipo de restaurante, ainda mais num menu de 4 pratos, vá servir porções pequenas. Mas uma garfada é sacanagem. Três ou quatro seria pequeno e lucrativo e as pessoas não ficariam com fome no final.

Depois disso, o primeiro pedaço de carne da noite: costelinha com raspas de mandioca frita. A costelinha era uma amostra grátis, do tamanho de um dedo mindinho, mas esse estava muito bom. Mas nada memorável, também. Não é algo que você fica lembrando depois e quer comer de novo. 

Na França, é comum você servir um queijo antes da sobremesa. É uma idéia legal, algo mais suave do que o prato principal antes da sobremesa. Franceses sabem viver. E foi uma boa idéia do restaurante inserir isso na tal degustação.Mas foi um pouco estranho vir um purê de batata com queijo derretido. 

Mas quer saber? Foi a melhor parte. Depois de melancia com azeite e raspa de cuia de chimarrão, um bom purê com queijo é tudo que você quer. Ainda mais com a fome que se está depois das 5 ou 6 colheradas de comida até aqui.

E na sobremesa uma idéia genial: sorvete de whisky, com bolo de amêndoas e calda de chocolate. Combinação perfeita exceto...

Exceto que tinha SAL E PIMENTA na calda de chocolate. E que a calda vem EMBAIXO do sorvete, completamente grudada no prato. Valeria um blog #porraalexatala só por isso, mas quem é que vai ficar indo lá comer essas bizarrices só para ficar zoando na internet depois?

O mais genial de tudo é que, como a peça de teatro do maluco que joga água em você, o fato de o cara ser chef-celebridade-artista-que-não-tem-medo-de-inovar-e-quebrar-paradigmas blinda ele contra qualquer crítica. É igual o Gerald Thomas. Se você não gostou, foi porque você não é bom o suficiente para entender. "Vá comer hambúrgueres, seu medíocre!” Gênio!

Vale dizer que o serviço é impecável, embora os garçons sejam um pouquinho esnobes, tipo vendedor de loja de grife. O valet custa o mesmo do que o outback. Tem um almoço executivo lá, de carne arroz e feijão, que um dia eu vou experimentar e depois comentar aqui. 

Compartilhou desse venturoso jantar comigo a Vanessa, do blogdenosdois. Ela achou ótimo e inclusive passou dois dias me olhando feio porque eu não gostei. Vale a pena você ler a resenha dela também.

 



Escrito por Mascavo às 15h40
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Maldito samba rock ou Sambando de All Star

Ninguém sabe, ninguém viu de onde surgiu o maldito samba rock. Eu mesmo não me dei conta. Não sei se tem relação com a popularização do pagode entre a classe média no começo dos anos 90 ou se é a continuação de um movimento iniciado por cantores à toa de idolatrar sambistas velhos. Quando dei por mim, tava aí.

Uma definição. Samba rock: é tipo samba só que rock. Mas não é samba. E nem rock.

Os três principais artistas do samba rock, são dois: o Jorge Benjor. Pode saber, se você vai a uma festinha samba rock, organizada pelo seu centro acadêmico de sociologia, só vai tocar Jorge Benjor. Também toca Seu Jorge, mas provavelmente por acharem que era uma forma diferente de chamar o ex- Jorge Ben. Para entrar na onda samba rock, o Seu Jorge até fez uma versão de Cotidiano do Chico Buarque. Desculpe, Seu Jorge, mas Cotidiano pode até ser um samba, mas sua versão não é rock. Ela é tecno ou dance, o que vem a ser a mesma coisa, só que com sintetizadores diferentes.

Naturalmente, uma festinha que só toca um cara é muito chata. Mesmo com o auxílio de substâncias que aliviam a pressão, é monótono. Foi então que um movimento paralelelo fundiu-se com o samba rock, numa simbiose inesperada.

Foi assim: alguém percebeu que existia um disco do Tim Maia que ninguém tinha. E o Tim Maia renegava (aqui o pretérito imperfeito está aplicado precisamente: ele renegava até morrer. Ninguém garante que ele continuaria renegando). Isso tornava o disco mais legal que os outros do Tim Maia. Aí neguinho pirou que isso podia dar uma festa. Uma festa em que se tocasse não apenas um único estilo de música, mas um único disco daquele estilo, cujo único ponto de bacaneza era o fato de ter ficado esquecido.

Como o Tim Maia e o Jorge Benjor eram amigos de carreira (hehe), como eram músicas chatas e monótonas e como agradavam às mesmas pessoas, o Tim Maia Racional foi incluído no samba rock. Mas só o racional.

Como resultado, assistimos na segunda metade da década de 2000, o fenômeno de festinhas samba rock que só tocam dois artistas, sendo que um não toca, nem samba, nem o rock. E o outro também não, mas chega mais perto.

As pessoas que curtem isso geralmente vêm de duas vertentes: Los Hermânicos órfãos (LHOs) e pessoas em busca das raízes do Brasil.

LHOs são pessoas que gostavam de Los Hermanos. Mas não só da música, de todo o estilo dos Los Hermanos. Pessoas com saudades de várias coisas que não viveram, como a época da inocência e, sei lá, palhaços. (Tudo que precisa ser dito a respeito foi dito no texto “Como me fudi no show dos Los Hermanos”, que rolou na internet na época do Ventura. Pode ser acessado digitando o título no Google ou em blogs como esse http://capotei.wordpress.com/2008/04/21/como-me-fudi-no-show-do-los-hermanos/).

Pois bem, os LHOs acharam que samba rock era uma sequencia natural de uma banda de rock que tocava umas músicas sobre samba. Certo.

Do outro lado, algumas pessoas vieram em busca das raízes do Brasil. Ignorantes do fato de que para tanto bastava ler o clássico do Sérgio Buarque de Hollanda, entraram na onda de cantoras como a Marisa Monte, Vanessa da Mata e outras, de que legal era ouvir Cartola e Velha Guarda da Mangueira (ou Portela, ou qualquer escola de samba velha. As novas, tipo Viradouro, não tem o mesmo efeito, ou não tem velha guarda, vai saber). Esse hype inclui usar roupas da Clara Nunes. Há divergência sobre gostar ou não de Alcione. Ela foi considerada muito popular por um tempo, mas agora que ela está passando dos 190 anos, seu indefectível apelido de “Marrom” a está alçando ao nível cult.

Do que eu estava falando? Ah, sim. LHOs e buscadores de raízes encaixaram no perfil ideal para gostar de samba rock. Afinal, ninguém guenta ficar indo ao circo ou ouvindo Cartola, só fingir é que é legal. É preciso ir num lugar em que toque música dançante (ou quase) e venda cerveja. E é para isso que servem as festa de samba rock.

Como desagravo, devo afirmar que há pessoas que vão nessas festa só porque acham legal, não são Lhos nem estão querendo pagar de bacanas. Senão as festas ficavam vazias, né?

Não sei se o samba rock vai morrer como morreu o Pogobol, a lambada e Alf, o E.Teimoso. Ou se ele perdurará como a música sertaneja, o axé, o pagode e Malhação. Até descobrir, vou convivendo com ele. Só no allstarzinho.

 

Sbub deixou Max de Castro bem chateado.



Escrito por Sbub às 10h26
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Curtindo a vida moderado

Todos sabem, ou deveriam saber, que "Curtindo a Vida Adoidado" é o maior de todos os clássicos da sessão da tarde, um filme superbacana, clássico dos clássicos, etc. É um fato. É notório que a premiação do Oscar perdeu 90% da credibilidade que ainda tinha por não ter dado todos os prêmios existentes a essa maravilhosa história.

Mas, como todos os fatos, existe um outro lado. Do mesmo jeito que descobrimos que Pedro Álvares Cabral não descobriu o Brasil sem querer, que as mulheres não têm as bochechas naturalmente rosadas e que o Sílvio Santos usa peruca, é necessário que olhemos novamente para esse filme com um olhar crítico, depois de tantos anos.

A história é assim. Ferris Bueller é um vagal, ele engana a mãe pra matar aula e resolve aproveitar o dia fazendo coisas legais. Enquanto isso, o diretor tenta desmascará-lo. No meio disso tudo, ele rouba uma Ferrari e canta Twist and Shout, imortalizando a música de um jeito que nem os Beatles tinham conseguido. O Ferris Bueller portanto é um cara hiperlegal, o garoto que todos gostariam de ser, o sujeito mais descolado do colégio, certo?

Pode ser que você ache que sim. Mas há quem discorde. Vamos aos fatos:

1) Ele matou aula.

Ok. Nos EUA isso pode ser superemocionante e descolado, mas pra realidade brasileira até nerds fazem isso. E com anuência da mãe.

2) Ele fez coisas legais

Ele enganou totalmente o diretor para poder levar o amigo e a namorada com ele. Essas coisas são mesmo maneiras. Mas o que ele fez com o tempo livre dele?

a) Foi ao museu

Ir ao museu é legal? Então porque você não vai mais vezes? Museu é uma coisa que você vai com a excursão da escola, não quando foge da escola. Eu até gosto de museus, mas matar aula para ir a um museu é a mesma coisa entrar escondido no cinema para ver Senhor dos Aneís. Parece que você está em vantagem, mas não está.

b) Foi jantar num lugar chique

Torrar dinheiro em comida é legal, mas ir a um restaurante chique não é. Ele podia ir na sorveteria, no buteco, na pizzaria, podia ir comprar Chandelle no supermercado, comer na calçada e dar o pote pro vira-lata que passava lamber. Mas ele foi num restaurante chique.

c) Usou a Ferrari do pai do amigo

Sim, isso é hiperlegal. Só não é mais legal, porque o manobrista com quem ele deixou o carro o superou sobremaneira em legalzeza ao ir dar um rolê lunático com o carro pela cidade, enquanto Ferris Buller fazia coisas chatas

d) Cantou twist and shout e fez todo mundo dançar

De fato, a cena da dança da galera que está passando é uma das cenas mais divertidas de todos os tempos. O fato de Ferris pegar o microfone e mandar uma versão maravilhosa, sem inibição e nem preocupação, demonstra como ele é bacana. Sem questionar o carisma dele, é necessário constatar que o ponto do passeio  seguinte ao restaurante foi tipo uma parada de 7 de setembro. Algo tão sem-graça e chato de assistir como um concerto das músicas do Kenny G na gaita-de-fole.

Acho que esses argumentos são suficientes para se revisitar os conceitos gerais da sociedade sobre pessoas maneiras. O que pode ser útil para se fazer um remake do filme ou para você, que sempre se achou palha, passar a se achar mais bacanudo. E serve de ponto de partida para outros questionamentos. Por exemplo, há personagem mais complexa que a irmã de Ferris? Seria Ferris apenas uma projeção psíquica do amigo nerd dele? Se Ferris morasse no interior de São Paulo, participaria de uma suruba em Ribeirão Preto? Perguntas que talvez permaneçam sem resposta. Afinal, como acredita Ferris Buller, a vida é curta demais para ficar parado esperando ela passar.



Escrito por Sbub às 15h24
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