The cellphone killed the video star

Dentro da minha infindável coletânea de ranzinzices destaca-se a minha aversão por câmeras digitais. Principalmente as de telefone.

Nada contra a tecnologia e sim ao mau uso que fazem dela. Antigamente as pessoas tinham, em geral, 36 chances de tirar uma boa foto. E ainda iam ter que pagar para ver se deu certo ou não. Bons tempos.

Hoje, pessoas cultas e com idade acima de 35 anos se comportam como menininhas emo, tirando fotos incansavelmente de qualquer momento de suas vidas. E geralmente arruinando irremediavelmente tal momento.

Assistindo o show do U2 no cinema, fiquei chocado com uma cena que reflete bem essa situação. Um argentino fã da banda deve ter pago uns 1000 reais por um lugar na pista vip (pista vip tb faz parte da minha infindável coleção, mas isso é outra história). Bom, o Bono, que provavelmente é o cantor preferido do rapaz, se ajoelhou na frente e cantou uma musiquinha para ele, quase como ele fez com a Katiucia. Talvez tenha sido o momento mais importante da vida do garoto. E ele assistiu tudo por meio de uma tela 3x4 de celular. Em nenhum momento tirou o olho do aparelho para olhar na cara do ídolo e, de fato, viver essa emoção.

Lamentável, não?

Bom, ontem no show do REM, inspirado pelo engajamento político da banda, eu resolvi dar início a um movimento. Um movimento para incentivar as pessoas a viverem os momentos e registrá-los em suas mentes, não em câmeras de baixa resolução.

E quero que todos vocês, quatro leitores do Sbubs, participem comigo e levem essa atitude adiante.

Consiste no seguinte: Toda vez que vc vir alguém filmando um show com sua maldita câmera, você chega o mais perto possível da câmera e canta a música junto. O mais alto que vc puder. Errar a letra e o tom da música é bem desejável.

Como resultado, a pessoa que vc está salvando terá um péssimo vídeo, mas com um ótimo audio da sua voz, uma vez que terá sido captado bem perto do microfone.

Além disso, o momento se tornará imediatamente inesquecível para você, que salvou uma pessoa e se divertiu no show, ao invés de tentar ficar filmando. Talvez sirva de exemplo. E também serve como forma de combate à pirataria.

Ontem, eu e o meu amigo Neo Romantic proporcionamos registros inesquecíveis de Losing My Religion e The One I Love para dois fãs. Pena que eles nunca terão a oportunidade de agradecer.

(Escrito por mascavo, ainda usando o login do Sbub).



 Escrito por Sbub às 10h40
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É preciso saber viver!

chat entre eu e o Sbub, na tarde de hoje. Publiquei aqui por causa dos belos ensinamentos do Sbub:

Mascavo: chamei o seguro para trocar o pneu do carro. Levei o termômetro para provar que estou com febre, e assim manter minha dignidade masculina.

Mascavo: Era isso ou descer vestido de mulher.

Sbub: Deprimente, porque você não trocou o pneu?

Sbub: Você tinha que ter descido só de bermuda e um caracu na mão. No final, você estaria delirando de febre. Aí se atirava no banco de trás e tomava a caracu. Dormia lá mesmo, coberto pelos tapetes do carro, até melhorar.

Mascavo: Você sabe mesmo como viver.

Mascavo: Eu já te contei que, quando eu tinha o Escort SW, os manobristas do estacionamento secretamente dormiam no meu bagageiro?

Sbub: É mesmo?

Mascavo: É.

Sbub: Que escrotos

Mascavo: Não se pode culpá-los. Era um lugar excelente para dormir.

Sbub: Não, claro que não. Cada um batalha pelo seu estilo de vida tosca.

Mascavo: Pois é.

Mascavo: Quando eu descobri, pensei em reclamar e tal... Mas aí eu pensei que eu não queria ser lembrado como um repressor de boas idéias.

Sbub: É, não reclamar geralmente encerra os assuntos antes.

Mascavo: Além do mais, eles davam uma utilidade para o carro quando ele estava parado, o que é ecologicamente correto: aproveitamento de recursos.

Sbub: Mas um simples iguana teria resolvido isso.

 

*publicado por mascavo, usando o login do Sbub



 Escrito por Sbub às 16h36
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Histórias Brasilienses

 

 

Há coisa de um ano ou dois anos, eu precisava comprar uma daquelas faixas com velcro pra aplicar gelo no joelho. Não sei o nome daquilo, mas é um pedaço de pano geralmente azul por fora, com um paninho fino preto por dentro, onde você põe o gelo ou uma bolsa de gel. Eu precisava de um desses, e de uma bolsa de gel, pra ficar fazendo compressas no joelho.

 

Em vez de procurar na internet ou ir ao lugar onde todos disseram que havia pra comprar, saí andando de carro a esmo pela Asa Norte, esperando ver alguma loja que parecesse ter isso pra vender. Me surpreendi ao ver uma loja de equipamentos médico-hospitalares em plena W3 norte. Pra quem é de fora de Brasília, a W3 norte é uma das avenidas mais movimentadas da cidade, localizada numa parte nobre da cidade. Numa distância de 2km da tal loja de equipamentos tem os seis ou sete maiores bancos do Brasil, McDonalds, Bob’s, Pão de Açúcar e, claro, órgão públicos. É um ponto comercial caro pela sua visibilidade e boa localização. E mesmo assim eu nunca tinha visto aquela loja.

 

Como não tinha estacionamento, estacionei na rua de trás. Errei umas escadas, uns portões, mas cheguei à loja. Ao lado dela havia uma loja de artigos judaicos, e eu nem sabia que existia isso, e uma lanchonete chamada Mister Lanches, que estava fechada às 14h...Tudo isso de frente para a W3, onde eu passo todos os dias há uns 6 ou 7 anos.

 

A loja também era bizarra. Como vendia equipamento médico hospitalar, tinha aqueles modelos de perna, de braço, umas cadeiras de rodas fechadas. Era de tarde, nenhuma luz estava acessa, então a loja estava mal iluminada, ganhando um aspecto sombrio. O vendedor, pelo menos, não parecia um assassino. Senão eu precisaria sair correndo da loja e, como eu disse, estava com problema no joelho. Pelo contrário, o atendentente usava uma camisa surrada, com uma imagem religiososa, nossa senhora ou jesus, não lembro. Ele estava sentado atrás de uma mesinha, lendo. Não sei se era algo religioso ou se era uma apostila de concurso (é uma coisa superbrasiliense ler apostilas de concurso durante o trabalho).

 

Comprei o que precisava comprar e fui embora assombrado. Chequei se a Mister Lanches não havia aberto e se tinha balinha no balcão. Continuava fechada, com cadeiras de cabeça pra baixo sobre as mesas, mas tinha balinha no lugar do caixa...

 

Hoje, precisei fazer outra coisa tipicamente brasiliense, que é levar o umidificador pra consertar. Não dá pra passar agosto com ele quebrado. Como ainda está na garantia, resolvi levar na autorizada. Eu tinha o endereço e o nome anotado na parte de trás da nota fiscal. Quando fui sair pra ir lá, achei o nome bisonho para uma autorizada “Bandeira Médico-Hospitalar”. Olhei o endereço: 509 norte. Na hora, não entendi que seria exatamente aquele lugar. Mas quando estacionei, entendi tudo. Bandeira Médico Hospitalar era exatamente a loja Além da Imaginação onde eu comprara minha bandagem moderna. E eles eram uma autorizada para consertar umidificadores! Bem, se já era um lugar tosco para uma loja de produtos, para uma prestadora de serviços especializados é simplesmente medonho.

 

Chegando lá, expliquei ao sujeito que me atendeu (não sei se era o mesmo) o problema: acende a luzinha, mas não sei vapor d’água. Ele tinha uma caneca de plástico muito larga sobre o balcão. Abriu o aparelho e despejou o conteúdo da caneca, ligou na tomada e....funcionou! Claro. Eu até xingaria meu próprio umidificador por aprontar essa comigo, mas sei que ele certamente foi consertado pelas propriedades mágicas desse lugar. Acho que a loja fica dentro de um portal dimensional que te conduz ao poço de Lázaro, por isso ela é invisível a todos.

 

Na saída, chequei se a loja de artigos judaicos estava lá. E continuava. Mas a Mister Lanches não....        

 

             

Este post não é parte da estratégia de divulgação do novo filme do Arquivo X. Pelo menos, não propositalmente.



 Escrito por Sbub às 15h06
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Pós-Graduação Strictu Sensu dos Magos

Só depois de muito tempo comecei a refletir: o Mestre dos Magos teria mestrado?

Eu acho que sim. Primeiro, ele era um mestre sem discípulos. Nunca havia outros magos por perto.

Segundo, ele falava de maneira abstrata, incompreensível, habilidade necessária para obter o grau de Mestre.

Terceiro, seus ensinamentos não serviam para nada. Ele falava, os carinhas perdidos seguiam e nunca voltavam pra casa. Ou seja, ele sabia apenas a teoria e nada da prática.

Ou seja, o Mestre dos Magos era mesmo um mestre. Parabéns a ele. E espero nunca assistir um desenho animado com o Doutor dos Magos.

 Do ponto de vista teleológico, a volta para casa deve ser respaldada em uma sólida argumentação teórica. Portanto, vocês devem procurar a ponte que liga a ética kantiana ao esquema do nexo causal de Krasner. Assim, vocês encontrarão a variável independente da volta pra casa!



 Escrito por Sbub às 16h16
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A Lei da Pureza Sbúbica

Falei no último post sobre o Mentes Ociosas. E eu não faria propaganda deste site se eles não tivessem detonado a coisa mais ridícula que já ouvi falar: a lei de pureza alemã para cervejas.
 
Sério, muitos de vocês devem ter ouvido falar. O Mentes ouviu, achou ridículo e escreveu num post. Pronto. Bastou isso para que a caixa de comentários explodisse. As pessoas diziam que quem não respeita a lei de pureza alemã não entende nada de cerveja, só tem que tomar Brahma,  que só gosta de cerveja aguada e outras ofensas um pouco mais pessoais.
 
Se pararmos pra pensar, uma lei reflete o pensamento político e jurídico de uma sociedade num dado momento. Logo, a lei de cerveja alemã de 1500 e fruto do que pensavam as pessoas da Alemanha há quinhentos anos. Então porque raios deveríamos nos importar com isso?
 
Se formos mais a fundo, veremos que o que ocorreu foi que um grupo de pessoas se reuniu e decidiu que cerveja era certa mistura de ingredientes e não poderia ser outra. Só que a gente não tem nem como saber as motivações que os levaram a isso. Pode ser que tenha sido um grupelho de produtores de cerveja que viam outro grupelho produzirem uma cerveja mais barata e mais gostosa, então usaram sua influência pra baixar uma lei.
 
Outro ponto de vista é o argumento de autoridade. Só os alemães de 1500 podem dizer o que era cerveja. Ora, fodam-se os alemães de 1500. Só por eles nasceram antes? Só por que eles estavam no país que popularizou a cerveja naquela época? Grandes merdas. Os ingleses inventaram o futebol e só ganharam uma copa roubada. E sobre a antiguidade, imaginem se um asteca doente inventa a lei de pureza do chocolate e diz que chocolate não pode ter amêndoas?
 
Portanto, deixe de ser afrescalhados e julguem uma cerveja pelo sabor dela e outros atributos que lhes apeteçam. E leiam o Mentes com cuidado, porque eles não gostam de balas ou chicletes sabor melancia. Vou ver se nenhum australiano fez a lei de pureza dos chicletes de melancia para esfregar na cara deles.

*Publicado por mim, escrito pelo Sbub.



 Escrito por Mascavo às 16h03
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