Carnaval! Tempo de reflexão!
Fevereiro. O Brasil pára. A folia toma conta das cidades e dos corações. O calor torna ainda mais forte o cheiro de samba, suor e cerveja, que vai se alastrando pelo ar, como gás napalm no meio de uma guerra civil.
Não há quem não se contagie com o Carnaval. Amigo meu, uma década de rock'n'roll, esse ano se rendeu. Vai vestir plumas, paetês e lantejoulas e desfilar pela Caprichosos de Pilares. Caprichoso como só ele.
Pois é. Hoje o caranaval é só alegria. Arlequins, Pierrots e Colombinas vestem roupas coloridas, saem as ruas cantando velhas marchinhas, jogam confete e serpentina. Mas houve um tempo em que a alegria era proibida. Em que ser feliz era mal visto, e que o amor era só uma lenda.
Eram tempos muito antigos. Música, fantasia, luxo, nada disso estava disponível para o povão. A única diversão eram os livros e a comida. E eram escassos. Afinal não haviam prensas. Os livros eram escritos a mão. E só quem tinha tempo de escrever ou copiar um livro inteiro a mão eram monges, rabinos e outros religiosos.
E justamente por serem escritos por religiosos que os livros eram muito chatos. Sérios. Em alguns casos, davam medo. E foi nesse cenário que o primeiro carnavalesco do mundo surgiu.
Foi ele quem teve a idéia de montar o primeiro Grêmio Recreativo e Escola de Samba do mundo, a Unidos da Galiléia. Eram 12 integrantes. Todos usavam mantos coloridos (o costume de usar trajes sumários de lantejoulas veio bem depois). Seu nome: Jesusinho 30.
Ele já nasceu carnavelesco. Ao invés de uma camisa do flamengo e uma banheira de plástico, ganhou na maternidade ouro, incenso e mirra.
Seu primeiro grande feito foi dar uma conotação divertida aos livros que existiam. Para ele, cada história era um enredo a ser contado por alas e carros alegóricos numa avenida. Aliás, a idéia de avenida foi dele:
"Houve um dia em que meu povo não teve onde se assentar / e foi aí que nosso líder sambou, fez abrir o mar / e o povão foi pro egito cheio de ginga nas canelas / e moisés, velho bonito, fez da água passarela"
Jesusinho 30 se notabilizou também por explicar a origem do mundo numa bela história, cheia de serpentes, frutos proibidos. Foi aí que surgiu o primeiro tapa-sexo. Ele misturou naturalismo, luxo, elegância e minimalismo ao usar uma folha de parreira para esconder a xoxota de Eva e o Bilau de Adão.
Jesusinho também era craque em contar histórias bonitas, cheias de luxo e galhardia. Promovia banquetes com camarotes patrocinados por grandes marcas de vinho, com muito peixe, muito pão. Protagonizou o primeiro beijo entre homens. O liberalismo e a traição inspiraram festas como o baile de gala do metropolitan e o gala gay.
Neste carnaval, lembremos então daquele que foi o maior! Jesusinho 30! Alô povão agora é sério!!!!!
Escrito por Mascavo �s 14h49
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