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Músicas cabeça
Há um tempo atrás o Serbon tava falando como ele acha o Chico Buarque foda, listando uma série de qualidades. Apesar das qualidades, com suas metáforas para se livrar da censura, O Chico acabou se tornando o responsável por boa parte das letras cabeças dos anos 80.
Era um must fazer letras que a principio não tinham sentido, mas se você fosse analisar a fundo, tinham uma bela mensagem. E interpretar músicas dependia muito dos interesses do ouvinte. E isso que era o mais legal, porque nos anos 80 os perfis dos jovens eram muitos: havia o socialista engajado, O fã de esportes, da democracia corintiana. O punk da escola. A Patricinha 80's. Uma mesma música podia significar o que você quisesse:
Agora eu lembro daquele beijo Era mesmo o fim. Era o começo E o meu desejo se perdeu de mim. (A Cruz e a Espada – RPM)
Interpretação do filho da revolução O beijo se refere à renúncia de Jânio quadros, que representou o fim da democracia há tão pouco tempo instalada. O fim. Era o começo de um novo tempo, e o meu desejo se perdeu de mim, dando lugar a disposição para a luta.
Interpretação do fã de esportes O beijo foi o gol do Paolo Rossi. O desejo que se perdeu foi o sonho do Tetra.
O punk da escola RPM é coisa de viadinho. Foda mesmo é Titãs.
A patricinha 80’s O beijo era do meu namorado que me trocou por uma outra menina que topava transar com ele. O meu desejo era ganhar um relógio Technos de 7 pulseiras. O Paulo Ricardo é um gato!
O pai dessas crianças Ele só pode estar falando de drogas
Eu queria ver no escuro do mundo Onde está tudo o que você quer Pra me transformar no que te agrada No que me faça ver Quais são as cores e as coisas Pra te prender? Eu tive um sonho ruim e acordei chorando Por isso eu te liguei (Quase um segundo – Paralamas do Sucesso)
Interpretação do filho da revolução O escuro do mundo são os porões da ditadura! Vê que ele fala até em me prender? Por isso que eu tive pesadelos...
Interpretação do fã de esportes Isso é a seleção de 86, falando para a torcida, pensando em voltar a ser a de 82, que era muito melhor. O sonho ruim foi o gol do Paolo Rossi, o carrasco!
O punk da escola Todo mundo sabe que esse Robert Viana é gay! Som de macho é Titãs. E Camisa de Vênus também.
A patricinha 80’s. Isso é o Herbert falando para a namorada dele que queria dar tudo que ela quer, como uma viagem para Disney e um relógio Technos que com sete pulseiras. Viu que ele fala em cores?
O pai dessas crianças Ele só pode estar falando de drogas
Hoje até que é um alívio que as músicas cabeça tenham praticamente acabado. Em tempos de Jota Quest e CPM 22, você sabe: amor rima com dor, coração com paixão, e verbos da 1ª conjugação rimam com... verbos da 1ª conjugação. Mas ainda há espaço para o fã trazer a poesia para sua própria vida, de acordo com seus interesses:
Nunca mais espero te encontrar. Por tudo que você me fez passar. Tantos dias sem entender. Esperando por você, que não vai voltar. (Dias Atrás – CPM 22) Ele pode estar falando com: - A ex-namorada que deu um pé nele. - Um pedaço de bife muito grande. - O Time do Palmeiras de 2003. - Um morcego que entrou pela janela. - Uma pedra no rim. - Um CD que ele comprou no Submarino e veio errado.
Se você foi, vou te esperar Com pensamento que só fica em você Aquele dia, um algo mais Algo que eu não poderia prever. (O Vento – Jota Quest)
A música pode se tratar: - Do time do Atlético Mineiro - De uma pipa que teve sua linha cortada - De um traficante que foi preso - De um fã do Jota Quest que descobriu a poesia dos Engenheiros do Hawaii - Do playstation 2 que ele comprou e mandou destravar.
Como se pode ver, apesar de Renato Russo, Cazuza e aquele cara do Gang 90 não estarem mais entre nós, ainda há muitas lições para se tirar da música pop. Da próxima vez, falaremos exclusivamente das letras da Sandy Júnior.
Escrito por Mascavo �s 15h09
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Nomes
Esse post é sobre futebol.
O Diogo Mainardi termina a sua coluna dessa semana listando os artistas que apóiam o Lula:
Paulo Betti, Arlete Salles, Bete Mendes, Jorge Mautner, Alcione, Jards Macalé, Renata Sorrah, Zeca Pagodinho, Fernanda Abreu, Luiz Carlos Barreto, Augusto Boal, Rosemary, Jorge Furtado, Marcos Winter, DJ Marlboro, Ariano Suassuna, Shel, Cara Branca, Magrelo e Moringa. Peraí. Cancele a última parte. Estou confundindo tudo. É o problema de ler tantos jornais. Os quatro últimos apóiam o PT, mas não pertencem ao meio artístico. Pertencem ao PCC.
O grifo nos quatro últimos nomes é meu. Não para falar de política, mas para elogiar o os belos apelidos que os representantes da bandidagem usam: Shel, Cara Branca, Magrelo e Moringa. Isso sem falar em outros tão bons quanto, como Fernandinho Beira-Mar, Marcola, Luz Vermelha, Robertinho de Lucas, Marcinho VP... ou os bandidos do Cidade de Deus, Mane Galinha, Cenoura, Zé Pequeno, Alicate, Barbantinho.... ou do Carandiru, Majestade, Sem Chance...
Que belos apelidos. Que poesia colocada em palavras tão curtas. Cara Branca! Dá até vontade de absolver... “Pô, seu juiz, libera aí o Cara Branca... o cara é CB...”
Mas, como eu disse, esse post é sobre futebol. Houve uma época em que o futebol brasileiro encantava o resto do mundo não só por causa de seus craques. Mas porque levavam nas costas (opa!) não seus sobrenomes portugueses, como Silva, Carvalho, Oliveira, mas seus apelidos exóticos, como Garrincha, Vavá, Zito, Buglê, Cafuringa, Canhoteiro, Adãozinho, Mirandinha, Afonsinho, Alfredo Mostarda, Balú, Beijoca, Bizu, Careca, Branco, Gaúcho, Catatau, Cibalena, Diabo Loiro, Biro-Biro, entre tantos outros.
Hoje o futebol é repleto de nomes bizarros, como Rycharlysson, nomes completos (quando foi que o Rogério virou Rogério Ceni?), e apelidos playboys, como Kaká (com K e com acento). Fora os nomes comunzinhos, como Gomes ou Morais, e comunzinhos e duplos, como Ricardo Oliveira e Daniel Carvalho. A escalação da seleção brasileira parece a de Angola ou de Portugal.
Pois é, acabou. Filtraram, pasteurizaram e homogeneizaram o futebol brasileiro. A esperança de ver Dedimar e Matusalém vestindo a camisa da seleção principal já era. Agora só nos resta torcer por craques com nomes de meu querido pônei, como o Cicinho e o Robinho. E torcer também para que eles não comecem a ter caras de atores da malhação, como a seleção de vôlei.
Escrito por Mascavo �s 11h49
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A verdadeira celebridade
Hoje, na home do UOL, link para esse brilhante trabalho de reportagem:
Mario Prata recusa duas vezes
Sexta-feira, 18 de agosto, às 22h, Mario Prata jantava no La Frontera, em frente ao cemitério da Consolação, em São Paulo. O autor de “Bang Bang” usava tênis, jeans lavado e uma blusa (com capuz) azul sob casaco cinza. Estava acompanhado do filho, Antonio. Quando o garçom se aproximou e lhe ofereceu mais uma taça de vinho (tinto), Mario Prata disse não. Pouco depois, enquanto segurava um cigarro, o mesmo garçom se ofereceu para acendê-lo. Mais uma vez, o escritor disse não. A conta foi de R$ 112,20. Antes de se levantar, ele mesmo acendeu seu cigarro. (Bruno Tedeschi)
Eu não sei o que dizer. São momentos como esse que fazem a faculdade de jornalismo ter valido a pena. Que fazem a gente perceber o quanto o diploma é importante. Que representam a nobreza do papel da imprensa na sociedade.
Vejam a capacidade do Repórter Bruno Tedeschi de captar a notícia: Mário Prata estava jantando com seu filho Antonio. Isso é que é NOTÍCIA. O "jornalismo de celebridades" chegou ao seu ápice... é óbvio que notícias como o nascimento da Sasha, a (falta de) calcinha da Luana Piovani, a briga entre Brad Pitt e Jennifer Aniston chamam a atenção, mas escrever sobre elas é fácil... Somente um grande jornalista, como Bruno Tedeschi, poderia captar esse momento tão importante da vida artística brasileira, quiçá mundial.
Emociona também o trabalho de seu editor. Como um ataque samurai que atinge direto o coração da vítima, o nobre colega foi capaz de extrair o verdadeiro âmago, o centro da notícia e explicitá-lo em apenas 5 palavras: "Mario Prata recusa duas vezes". Lindo! é notória a importância de saber que Mário Prata jantou em um restaurante com seu filho, mas mais importante ainda é saber que duas vezes ele disse não ao garçom. Isso nos mostra não só O QUE FAZ, mas mostra QUEM É Mário Prata. Uma pessoa que bebe pouco. E que acende seu próprio cigarro. E antes de se levantar!
Eu sugiro a todos que procurem o Perfil de Bruno Tedeschi no Orkut para parabenizá-lo. Enviem e-mail para revistatropico@uol.com.br, a revista que publicou essa maravilha, para elogiar o trabalho deste artista das palavras! Vamos dar início a uma campanha para mostrar a todos quem é Bruno Tedeschi! Seu trabalho! Seu brilhantismo! Viva Bruno Tedeschi! A verdadeira celebridade!
O link para a notícia está aqui: http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2771,1.shl
Escrito por Mascavo �s 18h54
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Sessão paga-pau
É impressionante como o tempo passa e cada vez mais tem seções paga-pau neste
blog. Sinal claro de esgotamento criativo. Anyway, estamos aqui hoje para pagar
pau para o site "Antipropaganda", que não é um blog, é totalmente zoneado, mas
tem muitos textos legais. O cara que o escreve é muito bom de frases e é o
sensacional criador do Baralhinho do Momento, do qual pretendo me tornar
adepto.
Tem o link aqui e aí do lado também, bem em cima do Dr.
Scholl!
Escrito por Mascavo �s 21h52
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Sobre o Tempo
Essa semana peguei pra ouvir no carro a obra-prima “Gol de Quem?” do Pato Fu. Me lembrei de quando o comprei, 1996. Percebi então que já fazia dez anos. Logo pensei em escrever isso aqui no Sbubs. Sim, porque sempre tem essas reportagens sobre música: 40 anos do Álbum Branco, 10 anos no Nevermind e assim por diante. Logo, eu ia fazer de um dos discos que eu considero mais importantes da década. Eu o colocaria ao lado do disco de estréia dos Raimundos, que se chama “Raimundos”. (nos cadernos 2 da vida isso chama-se “disco homônimo” ou “de mesmo nome”. Mas escrever assim é bem mais legal), dentre os nacionais. E só. Estes são os dois mais importantes.
Eu bem sei que se Pato Fu tem um monte de fãs, tem um bando de gente que odeia. E essa a grande beleza do blog, você considera importante, você escreve o post, homenageia os dez anos, o considera um dos dois discos mais importantes da década e pronto. Ele é um dos dois discos mais importante da década porque é o álbum onde o Pato Fu mostra a que veio. Tem umas canções que não são tão boas, tem quatro covers – o que é muito – mas tem três ou quatro faixas supimpas. Faixas que ou tocaram na rádio, mostrando o talento para o pop, ou viraram favoritas imediatas de muitos fãs como eu.
Quando comprei o disco, eu comprei junto com o Marskavo Roots, do Maskavo Roots e, do Pravda!, o Pravda!. Sim, eu tinha dezesseis anos e queria ouvir o que há de novo. Comprei na Redley Records, uma loja muito bacana que existia em Brasília. Naquela época, nós íamos às lojas, pedíamos para ouvir e, se gostássemos e tivéssemos dinheiro (eu tinha porque fui com meu pai), a gente comprava. Difícil, né? A Redley Records não zurava para ouvirmos, você podia passar a tarde lá ouvindo e ninguém te xingava, nem as canções eram limitadas a um minuto.
Ao chegar em casa, o ritual era ouvi-los inteiros, com o encartezinho na mão. Putz, isso era bom. Prestando atenção a cada música, olhando os detalhes da arte do disco, sentado na frente do som. Eu alucinei com frases como “Por que estão todos se iludindo?”; “Tem uma pedra em meu caminho, que me rasga o pé quando como com a mão”; “A Etiópia é assim, o Subaquistão é assim” e curti a melodia perfeita de “Sobre o tempo”.
O disco é recheado de instant classics:
“Sobre o Tempo”, que tem uma letra meio non-sense, mas uma melodia no nível dos meus autores favoritos. Ela podia ser dos Beatles e ninguém ia estranhar;
“Gol de Quem?”, cuja frase de abertura é “O mundo é uma grande pão com manteiga e café e com leite” e segue num ritmo cavalar até acabar, sem dar tempo pra respirar;
A regravação de “Qualquer bobagem”, que ficou melhor que o original;
“Spock”, que é cantada primeiro em português e depois em francês e aparentemente fala sobre a tristeza de ser o Spock de Jornada nas Estrela, dentro de uma melodia hipnotizante;
“Vida Imbecil”, cantada com sotaque minieiro exagerado e que sempre conclui que a vida é imbecil, sobre um instrumental de moda caipira;
Depois desse álbum, os Patos seguiram amadurecendo. Passaram a usar menos barulhinho, o John passou a cantar cada vez menos canções, entraram dois novos integrantes e a banda melhorou pacas. Arrisco dizer que provavelmente todos os outros cinco álbuns de inéditas lançados depois, foram superiores ao Gol de Quem?. Mas nenhum me chocou mais, nem arrumou um espaço tão vasto no ouvido de quem pediu pra ouvir na loja.
Antes de escrever o post, fui pesquisar se o álbum foi mesmo lançado há dez anos. Não foi. A data oficial é 1995. Então tem 11 anos. Tudo bem, por que comemorar só os números redondos? Afinal o que importa mesmo, não é quando foi feito. E sim, quem fez o gol.

Escrito por Sbub �s 13h39
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Já podemos falar de eleições?
Bem, é melhor falar de eleições logo agora no começo, pois no final já estaremos com o pacová torrado de tanta discussão inútil sobre o tema. Pois bem.
Os cientistas políticos, em busca do objetivo legítimo de manterem seus empregos, vivem inventando novas estratégias para venderem aos candidatos. Muitas delas são baseadas em dividir os eleitores em grupos para definir o discurso e as promessas não cumpridas de campanha.
No começo, era o basicão. Classe rica, classe média, classe pobre. Depois, critérios regionais: eleitores da Ceilândia, eleitores do Bairro Proibido, eleitores do interior, etc. Em seguida, vieram os classismos. Temos que arrumar votos junto aos professores, aos bombeiros, aos funcionários públicos, às donas de casa. De todas essas classes que os candidatos tentam convencer a votar neles, tem uma que eles se esqueceram: os candidatos a deputado. Estão comendo a maior mosca.
Aqui em Brasília, por exemplo, temos os deputados distritais. Pra quem acha estranho, eles equivalem aos deputados estaduais com funções de vereadores, mas como não somos um estado, nem um município, inventaram esse nome biito. Não podia era perder a boca.
Então, nas eleições passadas, o deputado distrital eleito com o menor número de votos teve seis mil votos. Para as eleições de 2006, são mais de seiscentos candidatos a deputado distrital. Então, é uma classe nada desprezível. O primeiro argumento contrário seria a dificuldade de convencê-los a não votarem em si mesmos. Mas, nas eleições passada, tivemos quatro deputados sem nenhum voto e três com um só (esses devem ter se divorciado e nunca mais falaram com a mãe). Tem uma grande vantagem: esses políticos se encontram o tempo todo. É só ficar buzinando no ouvido deles, como eles sabem fazer muito bem. Podem até fazer promessas de não se candidatar na próxima e prometer fazer campanha para o amigo. Outra dificuldade poderia ser o fato de você ter que convencer pessoas de diferentes partidos. Só que todos nós sabemos que a fidelidade partidária é inexistente e a quase proibida por le no Brasil.
Com seiscentos votos, mais os das esposas dos nobres candidatos, já seriam uns 1.000 votos, porque alguns seriam muito orgulhosos para não votar em si. Se, além dos candidatos você convencer os cabos eleitorais e os distribuidores de folhetos de empréstimo com desconto em folha, já tem aí seus sete mil, oito mil votos. Aí, futuro nobre deputado, pode comprar um terno novo pra posse e gastar por conta!

Seu Creysson: Se eleitcho, defenderei o pagamentcho de segurio desempreguio aos candidatos que perderam-se!
Escrito por Sbub �s 13h34
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