Viaje bem, viaje Vasp
Mês passado fiz uma viagem de dois dias a Brasília por um motivo muito nobre: o casamento do Sbub. E acabei indo de Varig, coisa que há muito não fazia, desde que a Gol existe.
Enquanto aguardava na sala de embarque do aeroporto de congonhas durante 1h20, devido a um costumeiro atraso da viação gaúcha, fiquei pensando em várias coisas que precisavam ser ditas na cara dessa classe média burra, ignorante e facilmente manipulável que povoa o país:
1 – Viajar de avião não é chique
A não ser que você esteja na primeira classe da Air France, diga-se. Fora isso, você está viajando num coletivo, apertado para caralho, que dói o ouvido, que a comida invariavelmente é ruim, que não dá para dormir, não dá para esticar a perna, não pode falar no telefone e muitas vezes não pode usar o discman. Todo avião é um pau-de-arara que voa. A diferença é que o pau de arara não atrasa tanto, não perde sua bagagem e não te revista tantas vezes.
Chique seria ter seu próprio avião. Ou comprar três passagens para não ter que ficar se esfregando com as pessoas ao seu lado.
2 – Viajar de Varig ou Tam não é menos peão do que de Gol
A única diferença entre essas companhias e a Gol é a comida. E qualquer pessoa com um mínimo de noção sabe que o sanduíche da TAM ou o fricassê de frango da Varig não valem mais do que os R$ 0,50 pagos pela barra de cereal da gol.
Vale mais a pena pegar a diferença de preço entre as companhias (geralmente 200%) e fazer uma bela refeição. Numa viagem de São Paulo para Brasília, por exemplo: A gol cobra 300 reais. A Tam cobra mil. Ao invés de pagar 700 reais para andar no tapete vermelho e comer um misto frio no caminho, guarde esse dinheiro e coma no Rubayat, sem economizar. Você vai ser muito mais bem tratado, inclusive.
Além disso, nunca ouvi falar de ninguém que passou mal com a barra de cereal da Gol. Já com o fricassê da Varig, dá para montar uma comunidade no orkut.
Sem contar que a Varig atrasa para caralho. A Gol é pontual. A Tam, não sei.
3 – Avião tem lugar marcado
Como disse, o embarque que inspirou este post atrasou 1h20. Além disso, cheguei à sala de embarque com meia hora de antecedência. Nessa 1h50 que fiquei lá, vi pelo menos umas 30 pessoas em pé, formando fila no portão de embarque. Pessoas que , depois de tanto esperar, tiveram que dar passagem a idosos (ou de melhor idade, segundo a gol), crianças, deficientes, gestantes e ainda aos passageiros da classe executiva.
O que essas pessoas pensam? Que vão impedir alguém de roubar seus lugares? Ou passam quase duas horas em pé para poderem ficar sentados durante todo o tempo de solo?
Alguém já me disse que a idéia é poder acomodar a bagagem primeiro. Mas a maioria dessas pessoas quase não leva bagagem. Eu, que sempre levo instrumentos, procuro entrar primeiro porque sei que é difícil de acomodá-los. Mas faço isso mais pelos outros do que por mim. Porque sei que se eu entrar por último, a aerom... quer dizer, comissária de bordo, vai ter que se virar para guardá-lo, desalojar as malas de outras pessoas ou guardar no armário dela e me devolver na saída.
Então, a Infraero devia enviar mensagens pelos falantes e ter funcionários desestimulando a formação de fila: “- Senhor, aguarde com calma no seu lugar, a aeronave não vai decolar sem você”; “- Senhora, o seu lugar está marcado na sua passagem, você pode aguardar o chamado sentada!”
Depois de embarcar, fui sacar que o vôo da Varig do qual participei era um retrato da sociedadezinha mongol em que vivemos. Uma porrada de gente se acotovelando para entrar primeiro, achando que vai tirar alguma vantagem disso. Todo mundo aproveitando para comer, crente que está tirando alguma vantagem daquela refeição. Na classe executiva, em umas poltronas meio puídas, um deputado, cuja passagem foi paga por todo mundo que estava se espremendo lá atrás. Ao invés de despertar ao menos uma indignação, as pessoas ficavam felizes e uma pessoa até pediu para tirar uma foto com o sujeito. Todos viajando bem socadinhos achando que o resto do mundo está morrendo de inveja.
Se não fosse pelo tempo, devia ter ido de ônibus. É mais arriscado, mais demorado, mas bem melhor freqüentado.
Escrito por Mascavo �s 15h43
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